A irreverência, a crítica mordaz e a paixão pelo universo literário de Luiz Pacheco regressam à atualidade neste outono, com a realização do Congresso Luiz Pacheco Passeia por Todo o Papel (1925-2025). A iniciativa, marcada para os dias 22 e 23 de outubro, em Setúbal e Palmela, integra o vasto programa Luiz Pacheco 100, que ao longo de 2025 presta homenagem ao escritor no ano em que se cumprem cem anos do seu nascimento.
O evento é organizado em parceria com as câmaras municipais de Setúbal e Palmela e promete ser um dos momentos altos da celebração de um autor que nunca deixou ninguém indiferente, tanto pela sua escrita como pela sua personalidade intempestiva. De entrada gratuita, o congresso requer apenas inscrição prévia através do endereço bibliotecas@cm-palmela.pt.
Um escritor que incomodava pela liberdade
Nascido em Lisboa a 7 de maio de 1925, Luiz Pacheco cedo se destacou como crítico literário e agitador cultural. Viveu períodos marcantes em Setúbal, cidade onde manteve laços afetivos e criativos, e onde muitos recordam a sua presença boémia e as tertúlias que provocava. Autor de ensaios, crónicas e textos ferozmente críticos, Pacheco foi também editor e tradutor, mas sobretudo uma figura que cultivava o desconforto. Num tempo de censura e rigidez moral, não hesitou em questionar instituições, nomes consagrados e convenções da época, ganhando a reputação de enfant terrible das letras portuguesas.
A irreverência da sua escrita, bem como a sua postura de permanente inconformismo, continuam a atrair leitores, investigadores e novos curiosos, justificando o interesse renovado pela sua obra e pela atualidade das suas ideias.
Dois dias de programa intenso
O primeiro dia do congresso (22) decorre no Cinema Charlot – Auditório Municipal de Setúbal, com abertura marcada para as 13h45. Seguem-se duas sessões, às 14h00 e às 16h30, com apresentações de Pedro Piedade Marques, Fernando Ribeiro de Mello, Sofia A. Carvalho, Ana da Silva, Cláudio da Silva e Zetho da Cunha Gonçalves.
Ao final da tarde, pelas 18h15, será dado espaço à dimensão performativa da obra de Pacheco, através de leituras encenadas por Catarina Nunes de Almeida, Duarte Drumond Braga e Pedro Feteira, evocando a irreverência, o humor e a atualidade que ainda atravessam os textos do escritor.
No segundo dia (23), a programação transfere-se para a Biblioteca Municipal de Palmela, onde dois painéis reúnem especialistas como Fernando Cabral Martins, Rui Zink, Rui Sousa, António Cândido Franco, Mara Rosa, António Fernando Cascais e Carlotta Defenu. Os debates estão agendados para as 14h00 e 16h30, culminando com a inauguração, às 18h45, da exposição “Luiz Pacheco Passeia por Todo o Papel (1925-2025). A Exposição do Centenário”, que ficará patente ao público.
Uma homenagem em várias frentes
O congresso integra o projeto UnderDig, coordenado pelo investigador Rui Sousa no âmbito do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL), e é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
A iniciativa conta ainda com o apoio da Casa da Liberdade – Mário Cesariny/Perve Galeria, do Instituto Politécnico de Santarém e do Centro de Investigação em Artes e Comunicação, reforçando o caráter multidisciplinar de uma homenagem que cruza literatura, artes visuais e investigação académica.
Um legado vivo
Mais do que um tributo, este congresso pretende lançar novas leituras e interpretações sobre um autor que continua a desafiar gerações. Entre a sátira e o ensaio, o sarcasmo e a lucidez, Luiz Pacheco deixou uma obra que “passeia por todo o papel” — título que, além de dar nome ao congresso e à exposição, sintetiza a essência de um escritor que via na escrita uma forma de liberdade sem concessões.
Ao longo de 2025, outras iniciativas do programa Luiz Pacheco 100 continuarão a decorrer, evocando o escritor que escolheu Setúbal e Palmela como cenários de vida e inspiração. Mais informações sobre as comemorações e sobre o projeto Luiz Pacheco Passeia por Todo o Papel podem ser consultadas aqui.

