Empoderada, resiliente, determinada, inspiradora, multifacetada, solidária, corajosa, visionária, criativa, líder, lutadora, compassiva, forte, gentil, perseverante, talentosa, assertiva e inclusiva são só alguns dos adjetivos que podemos atribuir às mulheres. Apesar da conquista de direitos fundamentais ao longo dos séculos, sabemos que ainda existe um longo caminho a percorrer no que toca à valorização da mulher contemporânea.
Por exemplo, de acordo com os dados revelados pelo Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA) da UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta, pelo menos, 24 mulheres foram assassinadas em Portugal entre janeiro e 15 de novembro deste ano, 21 das quais vítimas de feminicídio. Tratam-se de números preocupantes que não devem ser ignorados.
Com o objetivo de dar voz a estas e outras mulheres, no final de outubro deste ano, nasceu a comunidade de Instagram — Mulherices — fundada por Beatriz Mascarenhas e Joana Matos. O objetivo das amigas setubalenses “é chegar a mulheres da comunidade que precisem de um espaço acolhedor para aprender, crescer, descansar, ganhar força e sentirem-se parte de algo maior”.
Segundo Joana Matos, 32 anos, psicóloga clínica, “o Mulherices é um espaço de partilha, vulnerabilidade e força, que nasce da vontade de quebrar silêncios e mostrar que não estamos sozinhas nas nossas dúvidas, feridas, nem nos nossos recomeços”. Beatriz Mascarenhas acrescenta que se trata de “um projeto de mulheres, para mulheres, sobre tudo aquilo que somos, sentimos e estamos a aprender a ser nas diferentes fases do feminino”.
A ideia das responsáveis é que a comunidade cresça a cada dia e que se realizem atividades dirigidas ao público feminino, como workshops de saúde feminina, palestras, encontros temáticos, imersões em autocuidado e autoconhecimento, caminhadas conscientes e convívios solidários guiados.
A primeira iniciativa oficial do projeto decorreu no passado domingo, 14 de dezembro. Tratou-se de uma caminhada matinal consciente de cinco quilómetros, com ponto de partida no Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal. No final do passeio, as participantes realizaram exercícios de alongamentos guiados pela profissional da área do desporto, Sónia Nobre.

De seguida, Joana Matos conduziu uma sessão de meditação mindfulness, com o intuito de ajudar todas as mulheres “a reconectarem-se consigo próprias, ganhar clareza e regressar à rotina com mais calma e presença”.
A inscrição na caminhada não teve um custo associado. Em vez do pagamento, foi solicitado que as participantes levassem produtos de higiene feminina, acessórios ou adereços e artigos de cuidado pessoal e femininos. Todos os itens recolhidos foram doados a famílias com mulheres em situação de vulnerabilidade e apoiadas pela APAV — Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.
À semelhança desta caminhada, os futuros eventos organizados pela Mulherices terão uma componente solidária e de apoio a uma causa específica. Para ficar a par de todas as novidades, basta seguir a página de Instagram da Mulherices.

