Olá, economia circular: Palmela recebe “laboratório vivo” para dar nova vida aos resíduos vinícolas

A indústria vitivinícola gera resíduos como cascas, sementes, engaços (caules), lias, entre outros. A pensar no reaproveitamento destes componentes, o projeto europeu REDWine acaba de inaugurar a sua Unidade de Demonstração na Adega Cooperativa de Palmela, uma biorrefinaria piloto capaz de transformar os resíduos da produção de vinho em biomassa de microalgas com aplicações industriais.

A novidade foi revelada em comunicado pelo Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), parceiro da iniciativa. A cerimónia de abertura oficial, que decorreu no passado dia 19 de novembro, contou com a presença do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, e da presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, que aproveitaram a ocasião para conhecer os detalhes deste projeto inovador, liderado pela AVIPE – Associação de Viticultores do Concelho de Palmela e que pretende demonstrar, em contexto real de adega, um modelo de economia circular replicável no setor vinícola europeu.

Financiado pelo programa Horizon 2020, o REDWine representa um investimento global de 7,5 milhões de euros, reunindo 12 parceiros internacionais da área da viticultura, biotecnologia, investigação e indústria. Neste consórcio, que se encontra a trabalhar desde 2021, o IPS tem envolvida uma equipa de quatro investigadoras da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro (ESTBarreiro/IPS), liderada por Carla Amarelo Santos.

A sua contribuição técnica centrou-se essencialmente na conceção e implementação do “laboratório vivo” recentemente inaugurado, onde se fará a captura e aproveitamento do CO₂ e dos efluentes de fermentação, “permitindo reduzir em pelo menos 31% as emissões de gases com efeito de estufa associadas à produção vinícola, ao mesmo tempo que gera biomassa com elevado potencial de valorização industrial”, explica a investigadora principal.

Ao IPS cabe igualmente a produção de investigação aplicada sobre o cultivo de microalgas e a otimização dos processos de colheita de biomassa, bem como a avaliação da viabilidade técnica, económica e ambiental da integração das microalgas na cadeia de valor da adega.

O projeto pretende demonstrar, em última instância, “a viabilidade de um modelo tecnológico e económico inovador, que assenta na reutilização do CO₂ e efluentes das adegas para a criação de novos produtos, em setores como a alimentação humana, cosmética, agricultura (bioestimulantes) e enologia, fornecendo ingredientes valiosos para procedimentos como a clarificação do próprio vinho”, acrescenta a responsável.

Com conclusão prevista para dezembro de 2025, o REDWine tem ainda o potencial de gerar dezenas de novos postos de trabalho em unidades vinícolas de média dimensão, contribuindo para a diversificação das fontes de receita dos produtores, reforçando a sua sustentabilidade e competitividade.

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