Estará em cena até 26 de Abril, a peça “O último Reich”, a partir de “O terror e a miséria no III Reich”, de Bertolt Brecht, assinalando os 70 anos da morte do dramaturgo alemão.
Um trabalho da companhia Arte33 com encenação de Ana Nave, adaptação e dramaturgia de Rui Silvares, a interpretar a peça estarão Ana Nave, Ana Saltão, António Olaio, Carlos Dias Antunes, Elsa Viegas e Francisco Silva.
“O Último Reich” pretende retratar, num espaço fechado mas visível, o medo, a autocensura e a vigilância, típicas da vida num regime totalitário, tornando-se parte da experiência compartilhada na peça.
Esta pretende recriar uma vivência imersiva ao colocar atores e público no interior “de uma grande caixa transparente, transformada num laboratório social onde se observa o funcionamento de um sistema totalitário”.
Sem heróis, nem narrativa linear, tal como a própria obra, o espetáculo surge como um retrato de uma sociedade dominada pelo medo, na qual “pais temem filhos, vizinhos espiam vizinho e a linguagem serve o poder”.
São seis os actores que darão corpo a mais de cinquenta personagens, numa interpretação que não apresenta uma narrativa linear e que pretende ser um retrato fiel e livre do quotidiano numa sociedade fechada, vigilante, censória e persecutória.
A banalidade do mal, nações e impérios que assentam os seus alicerces nas vidas de pessoas comuns, formas de sobreviver à estupidez e manter a sanidade, coisas insignificantes que ganham contornos improváveis, o “Efeito Borboleta” a soprar nos ventos da História, é sobre este pano de fundo histórico e político que mergulhamos em “O Último Reich” de Bertolt Brecht.
Escrita durante o exílio dinamarquês de Bertolt Brecht a partir de 1935 e editado em Praga em 1938, a peça, com forte cariz político e crítica social mordaz, traça um amplo retrato da vida quotidiana na Alemanha nazi, baseada em relatos de testemunhas oculares e notícias de jornal.
Nascido em Augsburgo, Baviera, em 1898, Brecht tornou-se num dos mais importantes e significativos dramaturgos e poetas da Alemanha do século XX.
Crítico da sociedade alemã, da República de Weimar e do Nazismo, Bertolt Brecht fugiu da Alemanha nazi logo após a chegada de Hitler ao poder.
Todas as suas obras foram sistematicamente queimadas pelo novo regime de Berlim.
A não perder no Salão das Carochas, em Almada até 26 de abril, com sessões de quinta-feira a sábado, às 21:00, e, ao domingo, às 18:00.

