Três criadores e uma só exposição: a PADA Studios mostra “O corpo que se desgasta” no Barreiro

Três criadores e uma só exposição: a PADA Studios mostra “O corpo que se desgasta” no Barreiro

A exposição “O corpo que se desgasta” marca o encerramento da Bolsa PADA 2025, no Barreiro. De 17 a 25 de outubro, a PADA Studios apresenta obras de Francisco Pinto de Almeida, Alëna Koleso e Inês Encarnação, explorando o desgaste e a transformação do corpo e da matéria. A entrada é gratuita mediante marcação.

Corpos que falam através da matéria

O Barreiro volta a afirmar-se como um dos polos mais interessantes da criação contemporânea na Margem Sul. A partir de 17 de outubro, a PADA Studios — espaço de residências artísticas e experimentação situado no Parque Empresarial da Baía do Tejo — apresenta a exposição “O corpo que se desgasta”, um projeto que encerra mais uma edição da Bolsa PADA 2025.

A mostra reúne três artistas residentes — Francisco Pinto de Almeida, Alëna Koleso e Inês Encarnação — que, durante os últimos meses, desenvolveram trabalhos em diálogo com o espaço industrial, a memória do lugar e as suas próprias investigações plásticas. A curadoria é assinada por Frederico Vicente, e o resultado é um conjunto de obras que cruzam escultura, instalação, pintura e performance, unidas por uma mesma inquietação: o corpo como território em transformação.

Um diálogo entre matéria, gesto e memória

“O corpo que se desgasta” propõe um olhar sobre o tempo que passa e o impacto que ele deixa. São obras que falam de erosão e persistência, de matéria que se desfaz e se renova. No centro da exposição está a ideia de resistência — a do corpo humano, a das matérias com que se trabalha e, também, a dos gestos criativos que continuam mesmo quando tudo parece ruir.

Os três artistas exploram esta tensão de formas distintas:

  • Francisco Pinto de Almeida constrói objetos e estruturas que oscilam entre o equilíbrio e a ruína, questionando a estabilidade das formas e das memórias.
  • Alëna Koleso trabalha com elementos orgânicos e materiais frágeis, convocando a transformação constante e a beleza do efémero.
  • Inês Encarnação foca-se no gesto performativo e nas marcas que o corpo deixa sobre a matéria — ou que a matéria deixa sobre o corpo.

O conjunto de obras cria uma espécie de tríptico sensorial, onde o visitante é convidado a abrandar o olhar e observar o desgaste não como fim, mas como continuidade.

O espaço como parte da obra

A PADA Studios é, por si só, um espaço com memória. Instalado num antigo edifício industrial, o local mantém as suas texturas, paredes marcadas e estruturas metálicas — traços que dialogam com o tema da exposição. Esta relação entre o passado do espaço e a pesquisa dos artistas reforça a dimensão poética da mostra: o corpo do edifício e o corpo humano encontram-se no mesmo movimento de desgaste e resistência.

O projeto insere-se na linha de trabalho que a PADA tem desenvolvido desde 2018, promovendo residências, bolsas e exposições que estimulam a criação contemporânea a partir da Margem Sul. Com uma comunidade artística cada vez mais ativa, o Barreiro tem vindo a afirmar-se como um polo alternativo às grandes galerias de Lisboa, oferecendo um território fértil para a experimentação.

Inauguração, visitas e concerto de encerramento

A inauguração de “O corpo que se desgasta” aconteceu no dia 17 de outubro, entre as 18h e as 21h. As visitas são gratuitas, mas requerem marcação prévia através do e-mail info@padastudios.com.

A exposição ficará patente até 25 de outubro, data em que a PADA Studios celebra o Open Day 2025, um evento de encerramento que inclui o concerto da Sociedade Sonora da Saudade — uma performance que, mais uma vez, liga som e corpo, vibração e matéria.

O gesto que permanece

Mais do que um encerramento de ciclo, esta exposição representa a persistência de um gesto: o de criar apesar do desgaste. Entre o ferro e a carne, o pó e a ideia, “O corpo que se desgasta” fala sobre o que fica — a marca, o traço, a memória.

Para quem vive na Margem Sul, é uma oportunidade de descobrir três vozes emergentes da arte contemporânea portuguesa, num espaço que continua a dar palco ao novo e ao experimental.

A entrada é livre, mediante marcação. E, como em tudo o que envelhece com beleza, vale a pena ver antes que acabe.

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