“Agustinópolis”: ópera e teatro unem-se em Setúbal para celebrar o legado de Agustina Bessa-Luís

“Agustinópolis”: ópera e teatro unem-se em Setúbal para celebrar o legado de Agustina Bessa-Luís

O Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal, volta a ser palco de uma grande celebração cultural. Entre os dias 24 e 26 de outubro, apresenta “Agustinópolis”, um espetáculo que une teatro e ópera numa homenagem ao centenário de Agustina Bessa-Luís, uma das vozes mais marcantes da literatura portuguesa contemporânea.

Com encenação de João Brites e música original de Jorge Salgueiro, esta coprodução do Teatro O Bando e da Associação Setúbal Voz promete transportar o público para o universo literário da autora de “A Sibila”, num espetáculo onde a palavra, o corpo e o som se fundem numa experiência sensorial e poética.

Uma homenagem que atravessa arte e pensamento

Inspirado em diversos excertos da obra de Agustina, “Agustinópolis” constrói uma narrativa simbólica sobre a criação de uma comunidade imaginária, um lugar em que as personagens procuram sentido coletivo e identidade num mundo em transformação. O resultado é uma viagem cénica que evoca temas centrais na escrita da autora — o destino, a introspeção e a complexidade das relações humanas — transformando-os em linguagem performativa.

O projeto nasceu de um convite lançado por Mónica Baldaque, filha de Agustina Bessa-Luís e membro da Comissão Organizadora do Centenário, que desafiou o Teatro O Bando a criar uma obra que celebrasse a dimensão literária e filosófica da escritora.

Em palco, o elenco e o coro dão corpo a uma polifonia de vozes que se cruzam e se reinventam, com direção coreográfica de Iolanda Rodrigues, figurinos de Catarina Fernandes, desenho de luz de João Cachulo e som de Miguel Lima. A cenografia e direção plástica são assinadas por João Brites e Dora Sales, mantendo o registo visual característico das produções do Bando, onde a estética é sempre parte integrante da narrativa.

Quando a literatura encontra a música

A dimensão musical de “Agustinópolis” assume um papel central na encenação. Jorge Salgueiro, compositor e maestro, criou uma partitura original que cruza canto lírico, sonoridades corais e momentos instrumentais de grande intensidade, num diálogo constante com o texto e a encenação. O resultado é uma ópera contemporânea que procura refletir, através do som, a profundidade emocional e filosófica da obra de Agustina.

Esta fusão entre música e palavra é também um espelho da própria essência da escritora, cuja prosa poética e introspectiva encontra eco natural na linguagem musical. Em vez de adaptar literalmente os seus livros, o espetáculo propõe uma tradução simbólica da sua visão do mundo — feita de contrastes, densidade psicológica e beleza estética.

Datas, horários e bilhetes

“Agustinópolis” sobe ao palco do Fórum Municipal Luísa Todi nos dias 24 e 25 de outubro, às 21h00, e no dia 26, às 17h00. A duração do espetáculo é de aproximadamente 90 minutos.

Os bilhetes têm o preço único de 10 euros e podem ser adquiridos presencialmente na bilheteira do Fórum ou online, através da plataforma BOL.pt.

O evento conta com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal e integra a programação oficial das comemorações do centenário de Agustina Bessa-Luís, reforçando a ligação da cidade às artes performativas e à literatura portuguesa.

Setúbal como palco de grandes criações

O Fórum Luísa Todi, inaugurado em 1960 e renovado em 2012, tem vindo a afirmar-se como um dos principais polos culturais da Margem Sul e do país. A aposta em projetos que cruzam disciplinas artísticas — como este “Agustinópolis” — confirma o papel de Setúbal como cidade aberta à criação contemporânea e à valorização do património literário nacional.

Este espetáculo é, assim, uma oportunidade para o público da região revisitar o universo de Agustina Bessa-Luís de forma inovadora e emocional. Entre música, movimento e palavra, “Agustinópolis” convida à reflexão sobre a identidade, a memória e o papel da arte na construção de sentido.

Um convite à descoberta

Para quem aprecia o teatro, a ópera ou simplesmente a força das palavras de Agustina, este é um espetáculo a não perder. “Agustinópolis” é mais do que uma homenagem — é uma celebração da cultura, da imaginação e do poder transformador da arte.

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