O Barreiro está a afirmar-se como um polo inesperado de inovação no setor da logística fluvial europeia, graças ao investimento do empresário francês Thomas Castan. Radicado em Portugal há quase uma década, Castan escolheu o concelho para construir a nova geração de embarcações da Urban Logistic Solutions (ULS), empresa que fundou em Estrasburgo e que aposta no transporte ecológico de mercadorias pelos rios das grandes cidades. O primeiro destes barcos modulares, totalmente concebido e montado no Barreiro, será apresentado esta sexta‑feira, antes de seguir para a icónica Ponte Alexandre III, em Paris.
A opção pelo Barreiro não é apenas afetiva: é estratégica. Com o crescimento da logística “verde” e o interesse crescente de cidades francesas — e de países como Bélgica, Alemanha, Inglaterra ou Países Baixos — o empresário acredita que Portugal reúne as condições ideais para se tornar o centro de construção destes barcos elétricos.
Os barcos produzidos no Barreiro representam uma revolução na distribuição urbana: desmontáveis como peças de LEGO, capazes de transportar até 120 toneladas ou 600 pequenos contentores, e de descarregar a carga diretamente para uma frota de bicicletas elétricas. Cada embarcação substitui o equivalente a 150 camiões e permite reduzir em 82% as emissões associadas ao transporte rodoviário. Em centros urbanos congestionados, onde a poluição, o tráfego e a ocupação do espaço público são problemas recorrentes, o sistema da ULS oferece uma alternativa silenciosa, limpa e altamente eficiente — com entregas que, no caso de Paris, podem chegar aos Campos Elísios em apenas seis minutos.
Ao transformar o Barreiro no ponto de partida para um novo modelo de logística sustentável, Castan demonstra não só confiança na capacidade industrial portuguesa, mas também visão para um futuro em que os rios voltam a ser protagonistas. A ambição vai além dos barcos: a ULS gostaria de produzir em Portugal também os contentores, as bicicletas elétricas e até um centro de investigação e desenvolvimento dedicado à mobilidade urbana. Para Castan, o sistema faria “todo o sentido” também em Lisboa — e a sua aposta no Barreiro pode ser apenas o início de algo maior.


