Um artigo da autoria da orientadora parental, Carla Escada
Educar um filho nunca foi uma tarefa simples, mas os pais de hoje enfrentam um cenário sem precedentes. Entre a rapidez da era digital, a pressão por carreiras bem-sucedidas e a avalanche de informações nem sempre corretas sobre como educar os nossos filhos, o sentimento de culpa tornou-se um companheiro constante. É neste contexto que a parentalidade positiva surge não como uma fórmula mágica, mas como um caminho sólido para construir relações baseadas no respeito mútuo e no desenvolvimento de relações saudáveis.
Os Novos Desafios: Da Gestão Digital à Cultura da Perfeição
O primeiro grande obstáculo da modernidade é a gestão da vida digital. Vivemos com famílias hiper conectadas onde os ecrãs competem diretamente com a atenção entre pais e filhos. Além da segurança online, os pais enfrentam a dificuldade de estabelecer limites saudáveis sem isolar a criança do mundo atual.
Soma-se a isto a pressão da perfeição. As redes sociais tendem a mostrar apenas os momentos “Instagramáveis” da vida, ignorando as birras, o cansaço e a desarrumação naturais de uma vida com crianças. Esta comparação constante gera uma ansiedade que afeta o bem-estar emocional de toda a família.
Desmistificar a Parentalidade Positiva
Quando se fala em Parentalidade Positiva, acontece com frequência confundi-la com permissividade. Na verdade, esta abordagem baseia-se em pilares claros que promovem a saúde mental infantil:
· Conexão que fortalece relações: Com uma boa relação e conexão, surge a cooperação e melhoria dos comportamentos desafiantes.
· Firmeza e Gentileza: É possível e necessário estabelecer limites claros mantendo o respeito e a gentileza pelos nossos filhos.
· Comunicação que gera cooperação: Onde os pais sabem o seu lugar e os filhos sentem-se guiados com segurança.
Estratégias Práticas para o Dia a Dia
Para os pais que desejam transitar de um modelo autoritário ou permissivo para um modelo positivo, algumas ferramentas são essenciais:
1. Autorregulação Parental: Para cuidares dos teus filhos, primeiro precisas olhar para ti, perceber quais são aqueles gatilhos que te tiram do sério, aprender a gerir esses momentos de forma a seres um modelo para o teu filho. Aquela pessoa onde ele vê como agir, mesmo perante as emoções mais efusivas.
2. Tempo de qualidade: Nada fortalece mais as relações do que o TEMPO. Garante que passas tempo de qualidade com os teus filhos, 15 minutos por dia fazem toda a diferença não só na vossa relação, como na confiança e cooperação entre todos.
3. Focar em Soluções: Perante um problema, envolve o teu filho na solução. “O sumo entornou-se. O que podes fazer para limpar?” Isto desenvolve a responsabilidade em vez do medo da punição.
O Impacto no Futuro
Estudos recentes indicam que as crianças que crescem sob este modelo desenvolvem maior autorregulação emocional, melhores competências sociais e são menos propensas a problemas comportamentais graves na adolescência.
Educar positivamente não é ser um pai ou mãe perfeitos, pois isso não existe. É sobre estar presente, consciente e escolher a comunicação e o respeito como bússolas para guiar a próxima os nossos filhos.
No final do dia, o que os nossos filhos precisam não é de pais perfeitos e exaustos, mas de pais presentes, reais e emocionalmente disponíveis.
Se a tua parentalidade estiver difícil, sabe que “A Parentalidade se vive melhor quando acompanhados!”, Carla Escada.
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