Setúbal inova… com o Croché, Cabaré!

Por Álvaro Cidrais, Fundador e CEO da A.Cidrais GPI

A Revolução dos Maduros Irreverentes

Malta, velhinhos e velhinhas de todas as idades! Atenção que isto vai dar pano para mangas! Estamos aqui para mudar o mundo. Vamos fazê-lo com croché, com risada, com cabaré e com muita atitude. Porque um miúdo pode ser velho aos 30, se já desistiu de sonhar. E um maduro pode ser puto aos 80, se mantém a chama acesa. A idade não é o único fator que conta! A irreverência consistente. É essencial.

Já pensaram que as melhores revoluções (ou re-evoluções, como preferirem) podem acontecer quando juntamos a energia dos que ainda fervem com a experiência dos que já viveram muito?

Já imaginaram o que podia ser a vida depois dos 55 anos? Uma espécie de «juventude» livre, mas com o turbo da experiência acumulada? O que é viver, afinal, no Lado BOM da vida – a partir dos 55, ou mesmo dos 35?

A verdade é esta: somos nós que nos envelhecemos! De acordo com o nosso percurso, com o ADN, com a atitude, a postura, a cultura, a família… e a sorte, na comunidade. Somos o que fomos, sim, mas também somos o que escolhemos continuar a ser.

E agora andamos a experimentar outras abordagens. Para as tornarmos políticas e práticas sustentáveis. É exatamente isso que estamos a fazer com o Croché, Cabaré – um projeto de inovação social com os maduros. Mais uma cena fixe que a SEIES anda a fazer, há mais de 40 anos, em Setúbal. Desta vez, em parceria com a Lado BOM.

O Croché Cabaré?

É um projeto de inovação com o envelhecimento ativo. Um treino para ajudar as pessoas a assumirem-se como as poderosas protagonistas da sua própria vida. Para Tecer, Rir, (Re)Existir. Partindo da condição em que se encontram. Sem fingimentos. Sem guiões.

Já começou. Com o Arranca Cabaré, em setembro. A equipa, os voluntários, os parceiros locais à volta da mesma mesa. Reuniões de trabalho para diagnóstico, avaliação e planeamento da ação. Coisa séria, mas com alma. Agora, arranca o Megafone Alcoviteiro para amplificar vozes, fazer barulho bom, recrutar participantes, novos e velhinhos com vontade de se voluntariarem. Gente que queira co-construir a felicidade de todos. Sim, felicidade também se constrói, a várias mãos.

Depois, virá o Espalha Cabarés capacitar-nos para a promoção do envelhecimento ativo. Replicar a metodologia SEIES/CdCA de voluntariado propositivo. Dinamizar jornadas formativas que fomentem a reflexão e a partilha de boas práticas e experiências. E assim começa o Casino Cabaré, com jogos intergeracionais com o prazer de brincar. Porque brincar não é coisa só de crianças. É coisa de gente viva. Permite a gargalhada solta, para (re)construir redes relacionais positivas e saudáveis, em torno da diversão partilhada.

Vai haver estimulação criativa, cognitiva e física – para pessoas com maior ou menor autonomia. Jogos no sofá. Jogos em cadeira de rodas. Jogos para pessoas acamadas.

Jogos entre avós e netos. Tudo o que queiram para promover o bem-estar, reduzir o isolamento, prevenir depressões e demências. Para fomentar uma cultura de movimento e hábitos saudáveis. E muitas músicas, vivas, doces, que queiram tocar.

Entretanto, cá vai o Croché Cabaré, a comunidade que tecemos, metaforicamente e na prática, vai construindo a confiança e a cumplicidade entre todos. Estamos, afinal, a criar uma «Teia de Aprendizagem e Solidariedade» que fomenta a participação inclusiva e a troca de habilidades, a partir dos saberes e competências de cada pessoa. Criam-se redes de apoio voluntário. Incentivam-se circuitos de trocas informais. Registam-se histórias, porque toda a gente tem uma história que merece ser contada.

Passamos da voz individual à coletiva. Descobrindo pistas para a criação de pequenos grupos em torno de interesses ou problemas comuns. Reforça-se a partilha e a ajuda mútua com rodas de conversa sobre temas como a menopausa, sexualidade 55+, solidão, alegrias, medos. Podemos funcionar como um «infantário» para projetos pessoais ou empreendedorismo 55+. Quem sabe daqui não nascem respostas intergeracionais mais formais?

Depois, criaremos o Palco Cabaré, um órgão de comunicação comunitária informal e inclusivo, transversal ao projeto. Um espaço de interação entre diversos públicos, garante da liberdade de expressão. Valorizaremos as experiências, competências e talentos pessoais e coletivos. Os patrimónios imateriais locais. A diversidade. A criatividade existente, e aquela que ainda nem sabemos que existe. E, no final, há a Festa Cabaré, uma celebração pública. A apresentação das conquistas alcançadas de forma participativa. Feira, festival, festa de rua, entrelaçando as várias expressões dos participantes dos três territórios de intervenção: Palmela, Sado e Pinhal Novo.

Tudo isto está a ser estudado entre a Lado BOM CRL, a SEIES CRL e os parceiros locais. No Impacta Cabaré. Aqui fazemos um balanço continuado da intervenção. Promovemos a consciencialização dos participantes. Relatamos o processo. Aprendemos. Ajustamos práticas em tempo real. Analisamos a viabilidade. Começamos a desenhar o futuro, e a transferência para outros territórios. Porque isto não é para ficar só aqui.

O Tesouro Chamado SEIES

Há muitos tesouros que o povo tem e desconhece. A SEIES é um deles. Um tesouro vivo, em movimento, que agora pega no croché, no cabaré e na irreverência dos maduros para continuar a fazer o que sempre fez: transformar realidades, uma pessoa de cada vez.

Conhecem a SEIES? A SEIES – Sociedade de Estudos e Intervenção em Engenharia Social, CRL é uma Cooperativa de Serviços e Solidariedade Social, fundada em 1980. Desde a sua fundação, apoia dinâmicas locais de promoção do exercício da cidadania ativa. Dedica-se à investigação e à intervenção para o desenvolvimento.

O isolamento – pior, a solidão sentida – é um problema que se transmuta assim. Com inovação e afeto. Com ação. Com comunidade. Este projeto cria, inspira e pratica a mudança. É resultado da arte desenvolvida durante mais de 40 anos e que o povo ainda desconhece. Mas vamos mudar isso. Apareçam. Tragam a vossa lã, a vossa história, a vossa vontade de rir e de viver. O palco é nosso. O fio condutor é a vida. E o espetáculo … está apenas a começar. Viva a SEIES, as comunidades e o Croché Cabaré!

Sobre o Autor

Álvaro Cidrais é um observador atento da realidade, irrequieto e irreverente, é especialista em Liderança, Colaboração e Felicidade Organizacional. É líder de equipas há 40 anos, mentor, consultor, idealizador (e gestor) de projetos há mais de 30. Tem um perfil multifacetado de empreendedorismo, dinamização de projetos e inovação (empresarial e socioterritorial). Cocriou 9 organizações de inovação social e dinamiza redes e processos colaborativos. Cultiva Ambientes Positivos. Nascido em 1967, em Moçambique, é licenciado em Ensino da Geografia (1993), mestre em Geografia e Desenvolvimento Regional (1998) e pós-graduado em diferentes áreas da gestão. Considera que o Erro e os Conflitos são oportunidade de co-desenvolvimento, a Participação, a Avaliação e a Aprendizagem são ferramentas de evolução. Vive em Lisboa, trabalha, com gosto, em diversos projetos na «margem sul», desde 2014. É facilitador, formador e docente universitário, cofundador do projeto Amendoins com Casca e da cooperativa Lado BOM (envelhecimento positivo). Criou a as abordagens JOYning e 4Win e os termos de Melhorança e eCoCuiDança.

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